quinta-feira, 12 de maio de 2011

Obrigado.

A intenção era deixar esse texto pronto pro último domingo (Dia das mães), porém não consegui terminá-lo à tempo, mas ai esta.

Obrigado porque teve na sua vida um lugar para a minha vida, renunciando a tantas coisas boas que poderia ter saboreado. Porque, mais do que isso, fez da sua vida um lugar para a minha. E de muitas maneiras morreu para que eu pudesse viver.
Porque talvez pudesse não ser corajosa, mas teve a coragem de embarcar numa aventura que sabia não ter retorno.
Porque não fez as contas para avaliar se a minha chegada era conveniente, abriu simplesmente os braços quando eu vim.
Porque não só me aceitou como era, como estava disposta a aceitar-me fosse eu como fosse. Porque diria “o meu filhinho” mesmo que eu tivesse nascido deformado e me contaria histórias ainda que eu tivesse nascido sem orelhas. E me levaria ao colo mesmo que eu fosse leproso. E, mesmo com tudo isso, me mostraria com orgulho às tuas amigas. Porque seria sempre o teu bebé lindo.
Te devo isso, embora não tenha acontecido, simplesmente porque sei que faria.
Obrigado porque não teve tempo para visitar as capitais da Europa. Porque as tuas amigas usavam um perfume de melhor qualidade que o teu. Porque, sendo mulher, chegou a se esquecer de que havia a moda.
Porque não te deixei dormir e estava sorridente no dia seguinte. Porque foi muitas vezes trabalhar com manchas de leite na blusa. Porque me sossegou dizendo “não chores, filho, que a mãe está aqui”, e estar no teu colo era tão seguro como dormir na palma da mão de Deus.
Obrigado porque é pensando em ti que posso entender Deus.
Obrigado porque não teve vergonha de mim quando eu fazia birras nos lugares públicos.
E porque suportou que eu, na adolescência, tivesse vergonha de que os meus
amigos me vissem contigo na rua.
Obrigado porque se fez de cabeleireira e aprendeu a fazer temperos. Porque fez roupas e máscaras para as festas da escola. Porque passou uma boa parte dos fins de semana a ver desenhos animados e apresentações na escola, e quando eu perguntasse “me viu, mãe, me viu?” pudesses responder com sinceridade e orgulho “é claro que te vi!”.
Obrigado pelas lágrimas que chorou e nunca cheguei, a saber, que chorou.
Obrigado porque me corrigiu quando me portei mal nas lojas, quando bati os pés com teimosia, quando “roubei” batatas fritas antes de o jantar estar servido, quando atirei a roupa suja para um canto do quarto. Obrigado por me ter mandado para a escola quando não me apetecia e inventava desculpas. E por me ter mandado fazer tarefas da casa que você farias bem melhor e muito mais depressa.
Obrigado por ter mantido a calma quando eu em dias de chuva passava com a bicicleta pela cozinha, ou quando sumia pela vizinhança.
Obrigado por ter querido conhecer os meus amigos, e por todas as vezes que não me deixou sair à noite sem saber muito bem com quem ia e aonde ia.
Obrigado porque eu cresci e o seu coração parece ter também crescido. Porque me deu coragem. Porque aprovou as minhas escolhas, e se manteve ao meu lado apesar de ter passado a haver a distância. Porque levanta a cabeça, mesmo sabendo que eu estou muito longe, quando vai na rua e ouve alguém da multidão chamar: “mãe!”.
Obrigado por guardar como tesouros os desenhos que fiz para ti na escola quando era, como hoje, o Dia das Mães. E por ficar à janela a ver partir o carro, quando vou embora, comovendo-te com os meus sinais de luzes.
Obrigado, já agora, por não ter esquecido quais são os meus pratos favoritos, pelo meu quarto em sua casa poder ser uma extensão do quarto da minha casa, e por ter ainda no mesmo lugar a dispensa de biscoitos...

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