segunda-feira, 14 de novembro de 2011
Uma máxima.
Sobre as idades da vida:
O que torna infeliz a primeira metade da vida, que apresenta tantas vantagens em relação à segunda, é a busca da felicidade, com base no firme pressuposto de que esta deva ser encontrável na vida: o resultado são esperanças e insatisfações continuamente frustradas. Visualizamos imagens enganosas de uma felicidade sonhada e indeterminada, entre figuras escolhidas por capricho, e procuramos em vão seu arquétipo.
Na segunda metade da vida, a preocupação com a infelicidade toma o lugar da aspiração sempre insatisfeita à felicidade; no entanto, encontrar um remédio para tal problema é objetivamente possível. De fato, a essa altura já estamos finalmente curados do pressuposto há pouco mencionado e buscamos apenas tranquilidade e a maior ausência de dor possível, o que pode ocasionar um estado consideravelmente mais satisfatório do que o primeiro, visto que ele deseja algo atingível, e que prevalece sobre as privações que caracterizam a segunda metade da vida.
segunda-feira, 4 de julho de 2011
Motivação para os estudos.
"Um jovem que se lança à dificil tarefa de estudar, se tiver além de capacidade de sofrimento, a motivação para isso. Motivação a qual não significa que encontre gosto em estudar, mas que descubra motivos fortes para isso, com gosto ou sem ele.
Mesmo não havendo vontade de estudar, sentará diante dos livros com a conciência de que há coisas bem mais importantes do que o seu apetite. Saberá que há um preço a pagar por todo e belo objetivo, e estará disposto a pagá-lo com alegria. Mas o objetivo tem mesmo de ser grande e belo; verdadeiro e profundo. Do tamanho da alma humana."
domingo, 3 de julho de 2011
A covardia dos sexos.
Começam dizendo “Não dá mais” e depois explicam os motivos. Acham insuportável investir tanto tempo em alguém imaturo ou apegado demais à mãe; que não pensa no futuro, desempregado ou acomodado profissionalmente; que não sabe cuidar da namorada, que nem se toca de levá-la ao médico quando está gripada; que se veste mal ou é desleixado com a aparência; que não lhe desperta admiração nem borboletas do estômago…
Por fim, quando ele já está louco pra ligar a TV e assistir futebol, vem o golpe final:
“Você não passa segurança.”
Mulheres gostam de esbanjar motivos. São máquinas de feedback. Talvez por isso ocupem cada vez mais cargos de liderança em grandes empresas. Nas conversas entre elas, se orgulham por demitir o cara que só atrasava suas vidas. É admirável a coragem do sexo frágil em querer ser feliz.
Já uma maioria dos homens são frouxos convictos. Bebem com os amigos a culpa por não amar, acham legal ficar reclamando de suas mulheres. Muitas vezes, por falta de coragem de romper, aceitam namorar, casar; alguns até comemoram bodas de prata.
Esses caras normalmente são passivos, desejam o fim em silêncio, torcem pra elas tomarem a iniciativa. No máximo, age nas entrelinhas, boicotando o relacionamento. Em último caso, brocha.... O pânico de terminar muitas vezes é maior que a vontade de comer a amiga gostosa.
Claro, existem aqueles caras que preferem correr riscos e viver uma paixão verdadeira; mas são covardes em outros aspectos. Inventam mil desculpas pra completar o “Não é você, sou eu…”. Alegam incompatibilidade de gênios, colocam a culpa na ex-namorada: “Ainda não estou pronto pra amar de novo”; ou “Não rolou aquela química”. Inventam até “A Outra”.
Revelam um extinto cafajeste que só existe no superego. Manipulam as moças a pensar que são chatas, mandonas, grudentas, carentes em excesso. Os menos criativos apelam: “A gente não manda no coração”. Os mais bonzinhos assumem até uma falsa homossexualidade — tudo em nome de diminuir o sofrimento da moça.
Mas agora é serio... nem em sonho, e nem sob efeito de álcool; nem cheio de raiva ou tendo a virilidade ridicularizada; Nunca... jamais, em hipótese alguma, um homem qualquer que seja, revela pra mulher que ela é feia.
E ainda somos rotulados de insensíveis...
segunda-feira, 27 de junho de 2011
Como deixar as pessoas mais bonitas ao seu redor.
Creio que muitos já pensaram sobre as várias condições (internas e até impessoais) que definem nosso visual. Agora veremos se é possível mudar a aparência dos outros ao nosso redor. Claro, isso não significa tentar mudar o cabelo, a pele, as roupas, o comportamento das pessoas de acordo com algum critério estético.
Se as pessoas ficam naturalmente mais bonitas quando sorriem, relaxam, param, cultivam felicidade, brilho nos olhos, calor no peito, sentido na vida, como podemos criar espaços e nos posicionar para estimular esse processo?
Pode parecer pura teoria, mas experimente colocar alguém em uma roda de percussão, levá-lo para uma trilha ou simplesmente a deixe mostrar o que pensa ou sente naquele dia, pergunte sobre seu passado e seus sonhos. Sem falar em sexo... Observe como até mesmos os traços do rosto mudam de modo quase mágico. Não é preciso nem mesmo criar uma experiência, basta oferecer nossa presença espontânea para ativar essa vida nos outros.
Há algo em cada um de nós que está cansado, que não aguenta mais ser sempre igual, manter a coerência em relação às nossas identidades e ser tratado com o devido respeito. Podemos nos relacionar com isso. Podemos piscar ou sorrir para esse cansaço - em nós e nos outros. Boa parte de nossas faces mais feias são sustentadas por essa apatia, assim como nossa maior beleza vem da abertura, do mistério de não saber quem somos.
Além disso, podemos treinar nosso olhar. Uma coisa é ouvir uma música cubana descontextualizada e dizer que não gosta. Outra é passar duas horas dançando salsa na frente de congas e trompetes. Ao parar, ao dar crédito, ao brincar com aquele olhar de apaixonado, a beleza surge de qualquer lugar. Curiosamente, nossa beleza é proporcional à nossa capacidade de reconhecer beleza no mundo. Peça para uma pessoa descrever seus amigos e você terá uma imagem bastante precisa de como os amigos a enxergam. Ou seja, o conteúdo estético de nossas experiências não vem exatamente de qualidades objetivas, externas, mas dos processos de relação pelos quais tocamos, cheiramos, ouvimos, vemos, degustamos, pensamos, imaginamos, recebemos os outros e o mundo. Ao mesmo tempo, somos tocados, cheirados, ouvidos, vistos, degustados, pensados, imaginados e recebidos pelos mesmíssimos processos de relação que criamos.
sexta-feira, 24 de junho de 2011
Um sábado.
A falta de entusiasmo era mediana, pois havia estado alí no ultimo sabado para limpeza, ja que a alguns meses ninguem mais ali morava.
Após o café da manhã, desceu à garagem abrindo o portão e sem pressa saiu com o carro para o local. Morava relativamente perto, uma vez que sua cidade não era tão grande a ponto de ter que viajar até la, e no caminho se lembrou imbecimente da estação que estava pois viu as flores amarelas no começo da estrada de terra do limite da cidade, o que a motivou chegar mais rapido ao sítio, pois ali tradicionalmente a família mantinha um belo jardim.
Chegou bem devagar com o carro na expectativa de encontrar algo diferente na residencia, e então parou logo na frente. Imediatamente reparou nas rosas bem vermelhas que ficavam na janela à esquerda da porta. A casa era simples, mas combinava com o espírito do local. Seu acabamento externo expunha o barro da alvenaria, levemente desgastada com o tempo; possuia um andar com uma sacada de madeira enorme logo acima da porta principal. As trepadeiras ocupavam metade da area das paredes, começavam com uma ponta logo abaixo da sacada e desciam se espalhando ao resto. Do lado da casa havia um coberto onde se guardavam equipamentos.
Inconcientemente ela imaginava varias cenas de vida ali, e ao mesmo tempo recolhia as correpondência lendo o remetente, e logo sentou-se em uma cadeira para abrir e lê-las. Abrindo a segunda carta, uma brisa passando na janela fez as rosas balançarem, e atenta por estar sozinha, olhou imediatamente. Foi quando viu que a placa com o nome do sítio na estradinha onde passavam vizinhos e seus produtos ali cultivados, estava torta. Largou as cartas sem pensar e foi reparar a placa.
Viu que ali na verdade tinha um estrago, provavelmente de alguem que passou com uma carroça por ali e sem percebeu bateu. Pôs as duas mãos na placa fazendo força para girá-la, e foi quando ouviu uma roda de metal rangir. Olhou para o lado e viu um rapaz puxando a pequena carroça com flores dentro. Naquele microsegundo, a primeira coisa que passou a sua cabeça era de que não estava sozinha, e a segunda foi inconcientemente analisar o rapaz; e como era jovem, teus instintos fizéram-na esquecer a placa e tão mais as cartas.
Aleatóriamente como sempre acreditamos acontecer, o rapaz ergueu a cabeça e encontrou ela a uns metros dalí. Tudo muito no imprevisto fez durar muito os dois se avistando, o que gerou uma desculpa para se comprimentarem. O rapaz se aproximou levemente depressa, e antes que pudesse fazer, a mulher o comprimetou com os braços cruzados e continou olhando-o com a boca entreaberta. O rapaz então a comprimentou se aproximando com a mão estendida, e iniciando uma conversa desajeitada. Descobriram então que ambos cresceram proximos, ali na região, mas nunca se encontraram.
No impulso eles foram até a mesinha branca de ferro que ficava em frente a janela direita da casa, sentaram, e ali pernameceram um bom tempo conversando. Viram coincidências e concordâncias, discuções e padrões, e muita coisa se passou ali a modo de se conhecerem bem, e o momento caminhava para um satisfação estática que fazia ambos esquecerem a placa e a carroça, uma sensação plena, que antecedia o toque, o cheiro e o beijo. E foi quando em um momento de silêncio (não pela falta de assunto mas pela satisfação), que se olharam naturalmente num breve instante, e ela sem mostrar os dentes, deixou um pequeno sorriso escapar. Como estavam com as mão em cima da mesa, o rapaz tocou seus dedos nos dela e se levantou da cadeira, seguiu até a moça sem parar de mirá-la, e no mesmo instante ela se levantou. E num lápso sem volta aproximaram suas faces, quando milímetros antes de suas bocas se encontrarem, se abraçaram rapidamente forçando seus corpos a se encontrarem também. Naquele beijo que começou lento, soltaram toda satisfação que estavam guardando em sí durante a conversa, encheram os pulmões fazendo seus corações acelerarem. O rubor na face veio primeiro nela, que após alguns entrelaces eternos de lábios e línguas, soltou brutamente o ar inclinando a cabeça para cima de olhos fechados e forçando os dentes, e ao mesmo tempo o rapaz encaixava sua mão direita nas curvas que iam de seu busto, entravam pela cintura e saiam pelas coxas.
Ali permaneceram pouco, antes que parassem para pensar no que estava acontecendo, a mulher sem querer encarar muito o rapaz pelo rosto, puxou-o levemente pela mão para dentro da casa, e fechando a porta ela logo virou para ele colocando suas mãos em sua face. Beijaram-se mais um pouco pois a atração ali exalava por todo o corpo, e como fez para leva-lo alí, ela novamente o puxou para o quarto de hóspedes que ficava proximo a entrada.
Já sem dúvidas de que poderiam causar qualquer desentendimento sobre o que estava acontecendo, a mulher se jogou de costas para a cama e estendeu as mãos para o rapaz, que imediatamente ajoelhou sobre a cama e se abaixou para continuar a beija-la. A mão do rapaz que viajava do rosto dela para os cabelos e a outra mão que queria deslizar por ela pegando cada formato do tronco fino dela, fez com que ambos se olhassem e imediatamente tirassem as partes de cima da roupa. E naquele movimento tudo passou a ser diferente... o rapaz avistando ela seminua, sem perceber, paralisou-se por dois ou três segundos para apreciar os traços dela. E ela a partir daí começou a se sentir mais desejada, e como uma droga ela quis mais; e virando-se de lado e sem olhar, começou a passar as suas suaves mãos nas pernas do rapaz, como se indicasse que ele tinha de deitar por tras dela. E sem necessidade do sinal, o rapaz deitou-se por tras, e deslizava sua mão pelo abdômem, busto e cintura dela, ao mesmo tempo em que beijava e passava a barba falhada na nuca.
Impressionado com o corpo dela, ele a virou de bruço e começou a alisar suas costas, era a pele mais macia e sem imperfeições que ja tinha visto. Mas ja querendo aumentar aquele prazer visual, soltou o sutien dela e com um movimento das mãos, passou os dedos por baixo da peça e como se quisesse moldar aquelas curvas, foi levando as mãos para o busto de forma que o sutien se soltasse dos seios. Ela bêbada de desejo, e perdendo a delicadesa, movimentou a parte de cima e com o tronco para trás, soltando mais uma vez o ar, porém de forma mais pesada que a primeira. Foi então quando ela ja transcendendo de sí, ajoelhou ali mesmo forçando sua costa contra o peito do rapaz, que no instinto subiu suas mãos simultâneamente para os seios dela... Eram de tamanho médio, expressando uma forma bem natural e que tinham os mamilos delicadamente apontados para cima. E nesse instante o rapaz os teve em suas mãos e sentiu-os bem nas palmas. E extasiado, e perdendo o controle de qualquer padrão, pôs os dentes na lateral direta da nuca dela e soltou usando apenas os lábios.
Nesse instante a mulher se virou, sentou na cama com as pernas para fora e tirou sua calça, o que serviu de incentivo para o rapaz fazer o mesmo, que muito ciente do momento, se levantou, e de costas para ela, tirou toda a roupa. Levou alguns segundos para isso, e quando virou-se para seu objeto de desejo, a viu deitada na cama de joelhos encolhidos e seminua, formando umas das cenas mais inesquecíveis de sua vida.
Não tendo reação racional alguma, foi direto a ela, deitando-se por cima de forma que ficassem um de frente para o outro, e em alguns beijos rapidos que eles se lançavam, as mãos do rapaz foram nos seios e nas partes mais baixas do abdomem dela e após um momento de prazer onde os corpos quentes se encontravam, o rapaz tirou a calcinha, enquanto ela, possibilitando o movimento dele, levantou delicadamente as pernas para cima. E deslizando as mãos do joelho até a virílha, o rapaz abriu as pernas dela, pôs-se a beija-la bem ao lado das partes íntimas, fazendo-a relaxar e estender as pernas que rapidamente se encontravam abertas envolta do rapaz.
Num leve movimento de cima para baixo na vagina da mulher, o rapaz começou o ato oral na vontade de agradá-la, pois tinha facínio naquilo. E em cada movimento para cima com a língua, mais os labios dela se abriam de forma a contorná-la. Até que ja muito molhada, ela se contorceu levemente para tras, mas o rapaz acompanhou o movimento, e desta vez focou no clitóris, que ja estava naturalmente visível devido a excítação. Deu delicados movimentos inicialmente, e em seguida com um pouco mais de força, passava toda a lingua ali com os labios ja encaixados em volta. Continuou o ato mesmo quando ela contorcia o tronco para cima quando não aguentava o prazer. Até que em uma respiração pesada, ela chegou ao orgasmo, sentindo o êxtase do prazer correndo de suas entranhas para todo o corpo e chegando a sua cabeça, passando por cada centímetro quadrado de seu corpo. E na sensibilidade de seu orgão, ela fechou as pernas de modo a empurrar o rapaz... Se transcendeu por alguns segundos, e desacelerando a respiração, esquecia-se de tudo.
Ja na sensação de intimidade com o rapaz, ela esticou a perna e se levantou da cama, puxou-o, empurrou-o na parede, deu um passo a frente e de costas para ele, agachou-se no chão com os braços arqueados e mãos no joelho, e num movimento que começou rapido e foi desacelerando, subiu as nádegas na virílha do rapaz com leve força e mantendo o tronco para frente. Virou-se de frente a ele, pôs uma mão em seu ombro e o dedo da outra em sua própria boca, e num movimento delicado e feminino, piscou um dos olhos ao rapaz, rodando o tronco para o lado de sua mão apoiada ao ombro. Então virou-se de costas novamente, e em passos que trançavam as pernas de forma sensual foi em direção a sua calcinha, e após pega-la, colocou entre os dentes e deu um sinal negativo ao rapaz, e ja em seguida à vestiu super segura de sí, como se o rapaz não mais existisse.
E foi quando o rapaz criando indignação se aproximou dela, que rapidamente virou-se de volta para ele e pôs a mão em seu peito, e apenas esticando o braço, empurrou-o vagarosamente na parede. E antes que o tempo fizesse o rapaz esquecer a beleza dela e começasse a dizer algo, ela virou-se para a cama, debruçou-se nela com a cintura e as pernas para fora, e levantando a parte de seu corpo que estava fora da cama para cima, foi tirando sua calcinha vagarosamente.
Sedento de posse pelo objeto por presenciar tal cena, imediatamente foi à ela e após beijá-la na nuca, sentindo o calor das costas e a maciês dos seios como se fosse a ultima vez, penetrou-a por trás naquela mesma posição, e acelerava seu movimento, fazendo-a sentir-se preenchida continuamente... O rapaz então cego de qualquer razão, segurou o cabelo dela com a mão esquerda e puxou para trás, e se deslumbrava com a cena a sua frente de forma que em instantes ele fechava os olhos e mentalmente vinha uma cena suja a sua cabeça. Era seu instinto agindo na forma mais pura possível. Tinha a sensação total de obediência dela a ele, e tão bêbado de prazer, era a unica forma de obediência que desejava no momento.
Dalí naquele cenário da catalunha, num quarto em que entrava os largos feiches do sol matinal, os dois se perderam. Rolaram pela cama fazendo o que o desejo ordenava. E ela no ápice, sentindo que o rapaz tinha-se tornado parte dela, enganada pelo prazer e achando que a sensação se criava dentro de sí, soltou o ar, perdeu as forças em suas pernas, no abdômem, nos braços e nos pescoço... nessa ordem. E numa plenitude e prazer só conseguia sentir pequenos tremores de suas coxas, que causavam a sensação de um terremoto.
Sentiu seu orgasmo por segundos, e logo após querendo agradar seu macho, começou a chupá-lo fazendo movimentos simultâneos com a mão. E em pouco tempo o rapaz perdeu os sentidos e a orientação do quarto...
Ficaram quase uma hora deitados na cama se acariciando, e pouco depois que quebraram o silêncio iniciando uma conversa prazerosa, levantaram-se, passaram boa parte do dia juntos, e quando o sol se encontrava do outro lado do céu, o rapaz retornou atrasado para sua atividade, e ela, voltou para sua casa entre os prédios se sentindo muito mais mulher, e mais feliz ainda por não ter esquecido a correspondência.
quinta-feira, 12 de maio de 2011
Obrigado.
Obrigado porque teve na sua vida um lugar para a minha vida, renunciando a tantas coisas boas que poderia ter saboreado. Porque, mais do que isso, fez da sua vida um lugar para a minha. E de muitas maneiras morreu para que eu pudesse viver.
Porque talvez pudesse não ser corajosa, mas teve a coragem de embarcar numa aventura que sabia não ter retorno.
Porque não fez as contas para avaliar se a minha chegada era conveniente, abriu simplesmente os braços quando eu vim.
Porque não só me aceitou como era, como estava disposta a aceitar-me fosse eu como fosse. Porque diria “o meu filhinho” mesmo que eu tivesse nascido deformado e me contaria histórias ainda que eu tivesse nascido sem orelhas. E me levaria ao colo mesmo que eu fosse leproso. E, mesmo com tudo isso, me mostraria com orgulho às tuas amigas. Porque seria sempre o teu bebé lindo.
Te devo isso, embora não tenha acontecido, simplesmente porque sei que faria.
Obrigado porque não teve tempo para visitar as capitais da Europa. Porque as tuas amigas usavam um perfume de melhor qualidade que o teu. Porque, sendo mulher, chegou a se esquecer de que havia a moda.
Porque não te deixei dormir e estava sorridente no dia seguinte. Porque foi muitas vezes trabalhar com manchas de leite na blusa. Porque me sossegou dizendo “não chores, filho, que a mãe está aqui”, e estar no teu colo era tão seguro como dormir na palma da mão de Deus.
Obrigado porque é pensando em ti que posso entender Deus.
Obrigado porque não teve vergonha de mim quando eu fazia birras nos lugares públicos.
E porque suportou que eu, na adolescência, tivesse vergonha de que os meus amigos me vissem contigo na rua.
Obrigado porque se fez de cabeleireira e aprendeu a fazer temperos. Porque fez roupas e máscaras para as festas da escola. Porque passou uma boa parte dos fins de semana a ver desenhos animados e apresentações na escola, e quando eu perguntasse “me viu, mãe, me viu?” pudesses responder com sinceridade e orgulho “é claro que te vi!”.
Obrigado pelas lágrimas que chorou e nunca cheguei, a saber, que chorou.
Obrigado porque me corrigiu quando me portei mal nas lojas, quando bati os pés com teimosia, quando “roubei” batatas fritas antes de o jantar estar servido, quando atirei a roupa suja para um canto do quarto. Obrigado por me ter mandado para a escola quando não me apetecia e inventava desculpas. E por me ter mandado fazer tarefas da casa que você farias bem melhor e muito mais depressa.
Obrigado por ter mantido a calma quando eu em dias de chuva passava com a bicicleta pela cozinha, ou quando sumia pela vizinhança.
Obrigado por ter querido conhecer os meus amigos, e por todas as vezes que não me deixou sair à noite sem saber muito bem com quem ia e aonde ia.
Obrigado porque eu cresci e o seu coração parece ter também crescido. Porque me deu coragem. Porque aprovou as minhas escolhas, e se manteve ao meu lado apesar de ter passado a haver a distância. Porque levanta a cabeça, mesmo sabendo que eu estou muito longe, quando vai na rua e ouve alguém da multidão chamar: “mãe!”.
Obrigado por guardar como tesouros os desenhos que fiz para ti na escola quando era, como hoje, o Dia das Mães. E por ficar à janela a ver partir o carro, quando vou embora, comovendo-te com os meus sinais de luzes.
Obrigado, já agora, por não ter esquecido quais são os meus pratos favoritos, pelo meu quarto em sua casa poder ser uma extensão do quarto da minha casa, e por ter ainda no mesmo lugar a dispensa de biscoitos...
terça-feira, 26 de abril de 2011
Quatro tipos.
As que pensam: Bom... se uma pessoa diz a outra que a ama, a própria linguagem supõe a expressão “para sempre”. Mas não tem sentido dizer...
Esse te amo, mais provavelmente só durará uns meses, ou uns anos, desde que continue a ser simpática(o) e agradável, ou não encontre outra(o) melhor, ou não fique feia(o) com a idade. Seria um “te amo” que implica “só por algum tempo”, não que exsita amor verdadeiro, e sim um “gosto de ti, me agrada , me sinto bem contigo, mas de modo algum estou disposto a entregar-me inteiramente, nem a te entregar a minha vida”.
As que pensam: Eu sei, tenho medo de que não me retribuam, acha que se eu pensar nos outros eles não pensarão em mim, que poderei ficar diminuído por ser sempre eu a ceder…
Mas quem foi que disse que o amor era um negócio?
Onde aprendi que era uma atividade centrada em mim mesmo, destinada a me dar satisfação?
O amor é um mau negócio... É, como escreveu Camões em um soneto lindíssimo, “cuidar que se ganha em se perder”. É uma loucura que leva a acreditar que enriquecemos quando nos damos... que só somos nós mesmos quando não queremos saber de nós.
Depois vêm as pessoas que não pensam mas seguem o primeiro tipo lá acima descrito, e por ultimo, as pessoas que não pensam mas seguem a segunda linha de raciocínio também ali acima descrito.
terça-feira, 19 de abril de 2011
"Vícios e virtudes"
Sempre as mesmas mesmíces, essa mídia caótica levando as pessoas a formarem mau-caráter, etc...
Eu não sei isso se deve pela minha idade, ou se eu estou realmente com a mente fechada. Mas de fato vejo isso acontecer a muita gente; alienação.
Não só aquela de levantar, trabalhar, retornar a casa, dormir e repetir tudo novamente. Vejo aquela alienação de querer sempre o melhor, melhor dizendo, vejo aquela insatisfação nas pessoas.
Pra mim isso é falta de viagens internas, ninguém parece se conhecer; querem sempre o que outro tem a oferecer, e não o que elas podem produzir. E não aquela idéia de que isso é instinto humano. Tanto que na antiguídade tinhamos mentes muito mais brilhantes que as nossas, creio eu que seja pelo autoconhecimento, pela autosatisfação, e tenho segurança o suficiente pra afirmar isso sem ter lido muito sobre.
Observando, não parece que as pessoas criaram vícios?
Pra quem não sabe, o contrário de vício, é virtude, que pra mim é uma das grandes carências atuais.
Precisamos nos conhecer melhor.
"A virtude é quando se tem a dor seguida do prazer; o vício, é quando se tem o prazer seguido da dor"
Qual dos caminhos acima temos seguido?


